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LENDAS DE PORTUGAL

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Lenda de Santo Amaro da Ilha das Flores

A Lenda de Santo Amaro de Ponta Delgada é uma tradição oral da ilha das Flores, nos Açores. Justifica a localização da ermida de Santo Amaro na Baixa Rasa do Lajedo.

Vários objectos dão à costa nas ilhas açorianas. Aliado à grande dificuldade na importação de materiais, durante séculos este facto gerou um movimento de buscas pelas costas das ilhas.

Eram encontrados os mais variados objectos, provenientes das embarcações naufragadas, a caminho da Europa ou do Continente Americano, e que chegavam trazidas pela Corrente do Golfo. Segundo a lenda, um dia andavam homens na costa da ilha das Flores à procura de algum objecto que o mar tivesse atirado para a costa quando viram um madeiro na distância.

Quando chegaram junto desse bocado de madeira aperceberam-se que se tratava de uma estatueta de Santo Amaro. A imagem foi encontrada há mais de trezentos anos junto ao rolo além da Baixa Rasa do Lajedo e dado como certo ser proveniente de alguma caravela ou nau que tivesse naufragado ao lago durante algum temporal.

Mas o povo, sempre muito crente nas acções do Divino, acreditou na sua grande maioria tratar-se de um milagre de Santo Amaro e passou a denominar aquela zona do calhau e às terras circundantes por Rolo de Santo Amaro. A imagem foi trazida para a igreja paroquial onde depois de devidamente limpa foi colocada num altar. No entanto, por mais tentativas que fossem feitas para o manter na igreja, o Santo Amaro fugia da igreja durante a noite e amanhecia todos os dias, estivesse bom ou mau tempo, no lugar onde fora encontrado.

Foi assim que o povo da freguesia e o padre, que deu este acontecimento como sobrenatural, se curvaram perante a vontade do Santo Amaro e então resolveram edificar uma capela no lugar que o santo tanto procurava. Segundo reza ainda a lenda, foi junto dessa ermida e por milagre do Santo Amaro que nasceu uma fonte de água cristalina a abundante que permitiu a produção de barro, ao irrigar abundantemente as terras em redor, que muito contribuiu para a própria edificação da ermida.

Actualmente a população da ilha das Flores celebra anualmente, no primeiro domingo de Setembro, o antigo talento de evasão protagonizado pela estátua de Santo Amaro.

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Lenda de Viana

A lenda de Viana é uma tradição oral portuguesa sobre a origem do nome da cidade de Viana do Castelo. Conta a lenda que um barqueiro que transportava mercadorias pelo Rio Lima alegadamente o antigo Lethes, da foz no Lugar do Átrio ou Adro, até Ponte de Lima, apaixonou-se por uma jovem de personalidade alegre, jeito desempoeirado, e feições helénicas.

O nome dado por baptismo à bela rapariga fora de Ana, e toda a gente a conhecia. O moço não tinha olhos para mais ninguém, passava o tempo a falar da Ana enquanto carregava e descarregava as mercadorias. Umas vezes perguntava: "Viram a Ana?" E a resposta: "Sim, Vi a Ana".

Outras vezes era ele que de feliz afirmava: "Hoje vi a Ana, vi a Ana!" Tantas vezes repetida, a expressão: «Viaana» provavelmente deu origem a «Viana». Apesar de se tratar simplesmente de uma lenda, em 1258 o rei D. Afonso III de Portugal, ao conceder o foral a este povoado, proclamou: «Quero fazer uma povoação nova no lugar que se chama Átrio, em a foz do rio Lima, à qual povoação imponho o nome de Viana».

Desde essa época nunca deixou de se chamar Viana, foi Viana de Riba do Minho, Viana do Lima, Viana de Caminha, Viana da Foz do Lima e, mais tarde, pelo foral de D. Maria II que a elevou à categoria de cidade, em 1848, tornou-se Viana do Castelo.

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Deu-la-deu

Deu-la-Deu Martins é uma personagem lendária da história de Monção, sendo lhe atribuído o feito de ter enganado os castelhanos à época das Guerras fernandinas.

A lenda Durante as guerras fernandinas, entre D. Fernando, rei de Portugal, com D. Henrique de Castela, no séc. XIV, Castela pôs cerco à vila de Monção. O cerco já demorava há demasiado tempo e dentro das muralhas o alimento já era escasso.

E foi aí que Deu-la-deu Martins agiu, mandou recolher a pouca farinha que restava e com ela fazer os últimos pães. Com os pães já cozidos, Deu-la-deu subiu à muralha com os pães na mão e atirou-os gritando: “A vós, que não podendo conquistar-nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós, mais humanos e porque, graças a Deus, nos achamos bem providos, vendo que não estais fartos, vos enviamos esse socorro e vos daremos mais, se pedirdes!”.

Dito isto, os castelhanos acreditaram que ainda havia muita resistência dentro das muralhas, então levantaram o cerco e partiram para as terras de Castela. Desta forma, com audácia e coragem, Deu-la-Deu salvou a praça e ficou, para sempre, ligada à história de Monção.

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LENDA DA SOPA DA PEDRA

Um frade pobre, que andava em peregrinação, chegou a uma casa e, orgulhoso demais para simplesmente pedir comida, pediu aos donos da casa que lhe emprestassem uma panela para ele preparar uma sopa – de pedra.

E tirou do seu bornal uma bela pedra lisa e bem lavada. Os donos da casa ficaram curiosos e, de imediato, deixaram entrar o frade para a cozinha e deram-lhe a panela.

O frade colocou a panela ao lume só com a pedra, mas logo disse que era preciso temperar a sopa... A dona da casa deu-lhe o sal, mas ele sugeriu que era melhor se fosse um bocado de chouriço ou toucinho.

E lá foi o unto para junto da pedra. Então, o frade perguntou se não tinham qualquer coisa para engrossar a sopa, como batatas ou feijão que tivessem restado da refeição anterior...

Assim se engrossou a sopa “de pedra”. Juntaram-se cenouras, mais a carne que estava junta com o feijão e, evidentemente, resultou numa excelente sopa. Comeram juntos a sopa e, no final, o frade retirou cuidadosamente a pedra da panela, lavou-a e voltou a guardá-la no seu bornal... para a sopa seguinte!

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A lenda do Abade João

A tradição local refere que no século IX, ao tempo do abade João, o castelo foi cercado pelas forças do califa de Córdoba, comandadas por um cristão renegado, Garcia Ianhez-Zuleima.

Em número inferior, os combatentes do castelo, com grande dificuldade em sustentar a defesa, deliberaram dar morte por degola aos demais, mesmo aos seus parentes, a fim de lhes pouparem o cativeiro e possíveis afrontas dos mouros.

Assim tendo procedido, arremeteram contra o inimigo superior, dispostos a morrer em combate. Fizeram-no, entretanto, com tal ímpeto, que o levaram de vencido.

No século XVIII, sob o reinado de D. João V 1706-1750, a tradição enriqueceu-se com um desfecho piedoso: os familiares dos defensores, ressuscitados por milagre, saíram do castelo ao encontro dos vencedores.

A imagem de Nossa Senhora da Vitória com uma cicatriz vermelha no pescoço, na Igreja local, evoca o milagre.

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A lenda da Santa Cruz

O castelo está ligado à tradição da principal celebração de Monsanto: a Festa da Santa Cruz. Originalmente uma tradição profana ligada ao ciclo da Primavera, foi cristianizada e associada ao lendário cerco do castelo, segundo algumas versões pelas tropas do pretor Lúcio Emílio Paulo em fins do século II a.C., segundo outras a um ataque dos mouros por volta de 1230, ou até posteriormente durante as lutas com Castela.

Em qualquer hipótese, os inimigos sitiantes procuraram vencer pela fome os defensores do castelo. A tradição refere que o cerco se prolongava já por sete longos anos, quando intramuros restavam apenas uma vitela magra e um alqueire de trigo.

Uma das mulheres sugeriu então um estratagema desesperado para iludir o inimigo: alimentaram a vitela com o último trigo, lançando-a com alarde por sobre os muros do castelo, na direção dos sitiantes.

Despedaçando-se contra as rochas, do ventre da vitela espalhou-se o trigo, abundantemente. Com essa manobra, o inimigo entendeu que os defensores ainda se encontravam milagrosamente providos de alimento, protegidos pela providência divina, levantando o cerco e se retirando da região.

O episódio é atribuído a um dia 3 de Maio dia da Santa Cruz, razão pela qual nesta data, anualmente, as mulheres do povoado se vestem com as suas melhores roupas e, ao som de adufes e canções populares, agitando marafonas bonecas coloridas com armação em cruz, algumas com potes caiados de branco, decorados e cheios de flores à cabeça, partem da povoação em direção ao castelo.

No interior do castelo, do alto das muralhas, os potes brancos, simbolizando a vitela, são lançados em direção ao exterior, revivendo simbolicamente o episódio da salvação da vila.

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As lendas do Castelo

A lenda da fundação

Ao tempo da ocupação muçulmana, era senhor desta região um mouro muito rico que tinha três filhos: dois rapazes e uma rapariga.

Muito idoso, sentindo a morte próxima, chamou os filhos e comunicou-lhes o desejo de repartir os seus bens, pedindo-lhes que o fizessem harmoniosamente entre si.

Segundo o costume, o rapaz mais velho tomou para si as terras que desejava; o segundo, procedeu do mesmo modo, com a parte restante.

Restando ainda vasta extensão de propriedades e riquezas para a jovem, o idoso pai pergunta-lhe se ficara satisfeita com a parte que lhe tocara, ao que ela respondeu: - Sim, meu pai, mas não desejo propriedades. Penso que é mais necessário termos um castelo para a nossa defesa.

Para mim desejo apenas o terreno que se possa cobrir com a pele de um boi. Diante da admiração do pai e dos irmãos, apresentaram-lhe a pele que pedira, para que pudesse demarcar a parte que reclamara da herança.

A jovem fez então cortar a pele em finas tiras, e com elas delimitou o perímetro da área que pretendia. Ao terminar, sucederam-se três dias de forte nevoeiro, ao fim dos quais se dissipou: todos viram então, erguido por artes mágicas, o Castelo de Santiago do Cacém.  

A lenda da princesa bizantina

Uma outra lenda narra que uma princesa, chamada Bataça Lascaris , fugiu do Mediterrâneo oriental, no comando de uma aguerrida esquadra por ela mesma armada.

A princesa desembarcou em Sines e, à frente das suas tropas, marchou para o Sul, vindo a atacar uma povoação islâmica, governada por um senhor de nome Kassen. Dando-lhe combate, a princesa derrotou-o e matou-o, tomando-lhe o castelo no dia de Santiago 25 de Julho. Por essa razão, colocou à vila o nome de Santiago de Kassen. 

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As lendas da moura do Castelo de Tavira

A tradição local afirma que, no castelo, existe uma moura encantada que todos os anos, na noite de São João, aparece a chorar o seu destino. Ela seria a filha de Aben-Fabila, o governador mouro que, quando Tavira foi conquistada pelos cristãos, desapareceu por artes mágicas, depois de encantar a filha.

Afirma-se que ele pretendia retornar para reconquistar a cidade e assim resgatar a filha, mas nunca o conseguiu. Outra lenda relata uma grande paixão de um cavaleiro cristão, D. Ramiro, pela moura encantada.

Numa noite de São João, quando o cavaleiro avistou a moura a chorar nas ameias do castelo, impressionou-se tanto pela sua beleza como pela infelicidade da sua condição. Perdidamente enamorado, resolveu escalar os muros do castelo para a desencantar.

A tarefa, entretanto, revelou-se difícil, e o cavaleiro demorou tanto a subir que rompeu a alvorada, passando assim a hora de se poder quebrar o encanto. Nesse momento, a moura entrou, em lágrimas, para a nuvem que pairava acima do castelo, enquanto D. Ramiro assistia sem nada poder fazer.

A frustração do cavaleiro foi de tal monta que daí em diante ele se empenhou com grande ardor nas lutas contra os mouros, tendo mesmo conquistado um castelo, mas sem outra moura para amar.

A lenda dos sete cavaleiros

Afirma-se que, durante uma trégua entre cristãos e mouros, seis cavaleiros cristãos foram caçar no sítio das antas, perto de Tavira, vindo a ser assassinados pelos mouros. Os seus nomes eram D. Pedro Pires Peres ou Rodrigues, comendador da Ordem de Santiago de Castela, Mem do Vale, Durão ou Damião Vaz, Álvoro Álvaro Garcia ou Garcia Estevam, Estêvão Estevam Vaz Vasques, Beltrão de Caia e mais um mercador judeu de nome Garcia Roiz ou Rodrigues.

O autor Cristóvão Rodrigues Acenheiro dá os nomes desses seis cavaleiros como sendo: D. Pedro Paes, Men do Valle, Duram Vaz, Alvaro Garcia, Estevam Vaz e Boceiro de Coja. Em represália por essas mortes, configurando o rompimento da trégua, é que os cristãos teriam promovido a conquista de Tavira.

Um outro episódio, também lendário, refere esta primitiva lenda: à época de Afonso IV de Portugal 1325-1357, por volta de 1328, Afonso XI de Castela impôs cerco a Tavira. Nessa ocasião, as forças castelhanas "...tendo assentado arraial na Igreja de São Francisco.

Num Sábado de madrugada e quando escolhia o melhor sítio pra assaltar as muralhas viu sobre a igreja de Santa Maria 7 enormes vultos com bandeiras nas mãos e nelas as armas do apóstolo Santiago. Espantado chamou os conselheiros que lhe disseram ser esses vultos os sete cavaleiros que morreram a quando da conquista de Tavira aos mouros e que eram os guardiões da cidade.

O rei ao saber isto e por devoção aos cavaleiros mártires logo se tornou para o seu reino sem fazer mal algum em Portugal." Frei João de São José.

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A lenda de Melides

Após a conquista de Santarém, o rei D. Afonso Henriques impôs um cerco a Lisboa, que se estendeu por três meses.

Embora o Castelo de Sintra tenha se entregue voluntariamente após a queda de Lisboa, reza a lenda que, nessa ocasião, receoso de um ataque de surpresa às suas forças, por parte dos mouros de Sintra, o soberano incumbiu D. Gil, um cavaleiro templário, que formasse um grupo com vinte homens da mais estrita confiança, para secretamente ali irem observar o movimento inimigo, prevenindo-se ao mesmo tempo de um deslocamento dos mouros de Lisboa, via Cascais, pelo rio Tejo até Sintra.

Os cruzados colocaram-se a caminho sigilosamente. Para evitar serem avistados, viajaram de noite, ocultando-se de dia, pelo caminho de Torres Vedras até Santa Cruz, pela costa até Colares, buscando ainda evitar Albernoz, um temido chefe mouro de Colares, que possuía fama de matador de cristãos.

Entre Colares e o Penedo, Nossa Senhora apareceu aos receosos cavaleiros e lhes disse: "Não tenhais medo porque ides vinte mas ides mil, mil ides porque ides vinte." Desse modo, cheios de coragem porque a Senhora estava com eles, ao final de cinco dias de percurso confrontaram o inimigo, derrotando-o e conquistando o Castelo dos Mouros. Em homenagem a este feito foi erguida a Capela de Nossa Senhora de Melides .

 

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Lenda dos Amores de D. Lopo

Corria o ano de 1637. Na cidade fronteiriça de Elvas, vivia um jovem fidalgo, de poucas posses, chamado Lopo de Mendonça, conhecido pela sua valentia e porte galante e ainda pela sua influência entre as mulheres. D. Lopo era, por isso, presença assídua em todas as festas das redondezas.

Numa dessas ocasiões, por alturas da feira de Zafra, aconteceu D. Lopo conhecer a mais bela das jovens casadoiras, D. Mência, daquela cidade espanhola. Logo se apaixonaram um pelo outro, passando o moço fidalgo a visitá-la com frequência.

Contudo, numa dessas saídas, voltou apreensivo. Ao ser abordado pelo seu amigo D. Álvaro para que se abrisse com ele, contou-lhe que pedira D. Mência em casamento, mas que o pai recusara o pedido, pois ela estava prometida a D. Afonso Ramirez, descendente de uma nobre e riquíssima família.

A jovem tinha sido encerrada num convento enquanto preparavam a boda com o fidalgo espanhol. D. Álvaro ficou pensativo e, como não podia ver o amigo infeliz, logo ali o aconselhou a partir para Zafra para falar com D. Mência. Se ela o amasse verdadeiramente talvez concordasse em fugir com o fidalgo português. Assim fez D. Lopo. Era já noite quando chegou ao convento.

Pediu para falar com uma das noviças junto de quem D. Mência tinha encontrado algum apoio e expôs-lhe o seu plano. A noviça ficou assustada, mas lá combinou um encontro entre os jovens apaixonados. Era uma hora da madrugada quando finalmente puderam falar.

As lágrimas corriam pelo rosto de D. Mência, pois julgava não mais ver o seu amado. Estava disposta a afrontar o pai, pois a vida sem D. Lopo representava a morte. Combinaram, então, encontrar-se no dia seguinte à mesma hora. D. Mência subiria à torre; aí estaria D. Lopo à sua espera.

Em baixo, um cavalo e um pagem esperariam por eles. O dia passou e chegou o momento esperado. O jovem lá estava junto ao convento. Viu a corda pendente da torre e preparou-se para subir. De repente, viu-se rodeado por D. Árias, o pai de D. Mência, e quatro criados.

O pagem contratado tinha-o traído. Era um dos criados de D.Árias. Ouviu-se um grito na torre. D. Mência tinha desmaiado. Furioso com aquela emboscada e afrontado com a bofetada que o pai da jovem lhe tinha dado, D. Lopo desembainhou a sua espada e enterrou-a no peito de D. Árias.

Depois defrontou-se com dois dos criados do fidalgo espanhol, ferindo-os. Os outros dois fugiram. Aproveitando a confusão, conseguiu fugir de Zafra e atingir Sevilha, onde se alistou numa companhia que partia nesse dia para Nápoles. Queria morrer honradamente, combatendo numa qualquer batalha, pois não conseguia esquecer que assassinara o pai da sua amada.

Um ano passou. D. Lopo regressou a Zafra e procurou D. Mência. A jovem professara naquele mesmo convento de Sta. Clara. Desiludido, angustiado, perseguido ainda pelo espectro de D. Árias, D. Lopo voltou para os campos de batalha e só descansou em paz quando a morte o veio finalmente buscar.

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A Lenda da Garça

A Lenda da Garça foi uma telenovela portuguesa de Victor Cunha Rego, escrita por Paula Mascarenhas, exibida entre 1999 e 2000 na RTP

A história da telenovela "A Lenda da Garça" centra-se na Quinta da Garça, propriedade da família Faria de Castro. Mergulhada em pleno Minho, a Quinta da Garça tem sido ao longo dos tempos um palco trágico, carregando uma lenda de amores infelizes.

Diz-se que lá terá vivido breves meses Inês de Castro – a dita de "Colo de Garça", que logo apelidou a Quinta – de passagem para o seu destino português. E lá também terá pernoitado Beatriz de Castro, a sempre noiva que se tornou lenda mais a Sul, no Alentejo.

Hoje, a Quinta é uma terra muito cobiçada. Nela se pretende construir um autódromo e toda uma série de infra-estruturas hoteleiras. Tal hipótese gera discórdias no seio da família Faria de Castro. Outrora viveram na Quinta Da Garça, José e Madalena Faria de Castro e as suas duas filhas: Inês e Mariana.

Quando Madalena adoeceu com lúpus, a sua irmã Beatriz mudou-se de "armas e bagagens" para a Quinta, onde vive até hoje. Inês e Mariana despontavam então para a adolescência e por isso foram criadas pela tia e pelo pai. José Faria de Castro dirigia a fábrica têxtil que pertencera à família da mulher.

Após o 11 de Março de 1975, na sequência da descapitalização da fábrica pelos dois outros sócios, o pai de Inês e Mariana viu-se obrigado a sair do país. Nessa altura deixou apenas uma carta à cunhada Beatriz dizendo-lhe que ia tentar "encontrar a luz num país distante" e confiando-lhe a gestão da Quinta da Garça e a educação de Inês, a filha mais nova, que então estudava medicina.

Ninguém mais soube dele e o seu paradeiro é desconhecido há 24 anos. Hoje, a possibilidade de venda da Quinta da Garça lança a discussão entre Inês e Mariana e torna necessária a procura do paradeiro do pai.

Inês nem quer ouvir falar da venda da Quinta. Mariana não quer outra coisa... deseja proceder às partilhas e começa a receber "adiantamentos" pela preferência dada a determinados interessados que o negócio far-se-à pela certa, garante.

No entanto, nem tudo correrá como Mariana previra. A tia Beatriz vai dificultar-lhe a vida pois também ela se opõe à ideia e Inês acaba por descobrir a chave fundamental para fechar de vez a desavença...

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Lenda da Poça das Asas

A Lenda da Poça das Asas é uma lenda antiga, original da ilha do Faial, arquipélago dos Açores e encontra-se ligada à existência da Poço das Asas e aos encantos que a envolvem. Segundo reza esta lenda, existia, em tempos idos, na pequena povoação de Chão Frio, localidade da Praia do Almoxarife, uma “formosa camponesa de pele morena, rapariga à qual não faltavam pretendentes”, no entanto, afirma a lenda, esta já “tinha dado o corpo e alma a um fidalgo da Vila que em determinadas noites, vinha ocultamente aguardá-la neste sítio da Poça das asas”, pelo que não queria mais ninguém.

Como não podia deixar de ser, nas trágicas histórias de amor, os dois apaixonados foram descobertos. Os restantes pretendentes juntaram-se e juraram destruir aquele amor. Assim numa noite, acontecendo que a rapariga esperava ainda sozinha o seu apaixonado, os seus pretendentes a mataram.

Segundo reza a lenda ”No dia seguinte de madrugada, quando a gente da povoação veio buscar água, encontraram o cadáver da camponesa e bem assim o Poço, contendo na sua superfície algumas penas brancas, como a geada”, penas essas que ainda nossos dias, quando faz tempo galado se foram nas águas do local.

Informa a lenda que dos assassinos, dois fugiram, enquanto que o terceiro, cheio de remorsos, “dentro de pouco enlouqueceu e vinha quase diariamente sentar-se nestas pedras, ficando horas e horas seguidas junto à superfície água, no fundo da qual parecia buscar o arrependimento.”

Àqueles que passavam, dizia que "viessem ver as penas saídas das asas de um anjo que ali estavam à superfície da água, e acusando-se do seu crime, acrescentava que a camponesa quando fora morta trazia no seio uma criança e que o anjinho, ao despedir-se dolorosamente da vida, havia deixado cair algumas penas das asas na superfície da água”.

Assim, entre o mito e misticismo, nasceu esta lenda, seja fruto ou não da narrativa de um louco ou simplesmente de um povo encantado pelo local, certo é que a lenda perdura e perdurará quanto houver alguém para a contar.

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Lenda do Senhor Jesus de Ponta Delgada

A Lenda do Senhor Jesus de Ponta Delgada é uma tradição oral da ilha da Madeira. Justifica a edificação da Igreja do Senhor Bom Jesus de Ponta Delgada Lenda No início do povoamento da ilha, quando Ponta Delgada, São Vicente, ainda era apenas um pequeno povoado, uma mulher andava pelas rochas da beira-mar a apanhar lapas quando viu a flutuar nas águas do mar um crucifixo em tamanho natural, com uma grande imagem a representar Jesus Cristo.

Como o crucifixo estava a alguma distância da costa, apesar das tentativas a mulher não lhe conseguiu chegar, pelo que então resolveu voltar ao povoado para alertar a povoação. Correu para a igreja a avisar o padre do que tinha visto. Este e outras pessoas das redondezas acompanharam a mulher novamente para a costa, junto da praia, para ver com os seus próprios olhos e decidirem o que fazer.

Perante os factos, o padre resolveu entrar no mar e retirar a cruz com a respectiva imagem antes que as águas a levassem para longe. O achado foi levado em procissão por grande número de habitantes da localidade que tinham acorrido à praia, alertados pelos acontecimentos.

Chegados ao povoado, a imagem com a respectiva cruz foi posta na capela do povoado. No entanto, no dia seguinte e para espanto de toda a população, o crucifixo tinha desaparecido da igreja e foi encontrado pela população enterrado a prumo na areia da praia, próximo ao local onde tinha sido achado no dia anterior.

Novamente levado em procissão para a capela pelo povo, poucas horas depois estava novamente na praia e enterrado profundamente na areia, rodeado de canas que delimitavam uma área com a forma de um templo. Perante isto, e acreditando que era a vontade do Cristo, o povo da localidade resolveu não voltar a retirar a cruz e a imagem do lugar onde estava e deram início à construção de um templo nesse lugar.

Com o passar dos séculos essa primitiva igreja viria a ser a igreja paroquial de Ponta Delgada. Junto à igreja, e dada a sua proximidade com o mar, foi erguido um muro de protecção contra a fúria das águas do mar no Inverno. No entanto e segundo reza a lenda, as águas do mar nunca ultrapassaram o muro e nem mesmo chegaram ao adro, nunca se atrevendo a entrar dentro da igreja.

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A lenda de Gaia

Uma lenda popular alude à origem do nome da freguesia:No ano de 932, o rei D. Ramiro II de Leão e das Astúrias viajou de Viseu, onde residia para raptar Zahara, a bela irmã do xeque Alboazar. Este por sua vez, como vingança, raptou a não menos bela esposa de Ramiro, a rainha Gaia, tendo ambos vindo a apaixonar-se um pelo outro.

Ramiro, ignorando este amor, vem com o filho e as suas gentes de armas até ao castelo do rei mouro que se erguia na margem esquerda do rio Douro, a caminho da foz. Ramiro escondeu as suas gentes numa encosta, sob a folhagem e, vestido de romeiro, subiu a mesma postando-se junto a uma fonte, no aguardo de novidades.

Uma criada veio buscar água fresca à fonte para a sua nova ama – a cristã. Num átimo, Ramiro escondeu o seu próprio anel na bilha de água da moura e continuou a aguardar. A rainha Gaia, ao encontrar o anel na bilha da água, pressentiu a verdade e mandou chamar o romeiro à sua presença.

Apaixonada pelo mouro, decidida a desfazer-se do marido cristão, embriagou-o e prendeu-o num quarto, que foi aberto à chegada de Alboazar. Ramiro tentou reagir mas em pouco tempo foi rendido pelas gentes do mouro que, sorrindo, perguntou-lhe o que ele, um rei cristão, faria se tivesse em suas mãos o seu inimigo.

Tendo em mente o combinado com os seus homens, ainda ocultos na encosta, Ramiro respondeu que lhe faria comer um capão, beber um canjirão de vinho, e depois postá-lo-ia no topo de uma torre a tocar trompa até rebentar.

Alboazar achou graça e garantiu-lhe que seria essa então a sua morte. Para maior gáudio, determinou abrir os portões do castelo convidando todos os moradores extramuros a assisti-la. Ramiro comeu, bebeu, foi conduzido ao alto da torre e tocou a trompa até que as suas gentes, ao ouvir o sinal combinado, irromperam pelos portões abertos do castelo, chacinando as tropas do mouro desprevenidas.

O próprio Ramiro matou Alboazar e, tomando a sua mulher, embarcou, seguido pelos seus homens. A bordo, encarou o pranto da esposa, que contemplava desolada as ruínas do castelo, e pergunta-lhe qual a razão, sendo respondido:

Perguntas-me o que miro?

Traidor rei, que hei-de eu mirar?

As torres daquele Alcácer

Que ainda estão a fumegar!

Se eu fui ali tão ditosa,

Se ah soube o que era amar,

Se ah me fica a alma e a vida…

Traidor rei, que hei-de eu mirar?

Pois mira, Gaia! E, dizendo,

Da espada foi arrancar:

Mira Gaia, que esses olhos

Não terão mais que mirar!

Ainda de acordo com essa tradição, até os nossos dias, a encosta que o rei teria subido em Gaia denomina-se rua do Rei Ramiro, a fonte, fonte do Rei Ramiro; as armas da cidade de Vila Nova de Gaia figuram uma torre encimada por um cavaleiro tocando trompa, e a zona do Porto, diante do local onde a rainha foi morta, denomina-se Miragaia.

Contudo, o nome de Miragaia poderá ter uma explicação bem mais prosaica, resultando do simples facto de estar em frente a Gaia, ou seja, a estar a mirar ver. Quanto à Lenda de Gaia, ela própria, para lá de todo o folclore que ficou acima descrito, importa sobretudo atender a duas questões centrais: o texto original que consta no Livro Velho de Linhagens século XIII e a identificação do rei Ramiro que nele é protagonista.

E só há duas alternativas: ou é D. Ramiro I, falecido em 850, ou seu trineto D. Ramiro II 931 - 951, sendo que de ambos o filho herdeiro se chamou Ordonho. E a resposta é bem fácil de dar, uma vez que é completamente impossível que as circunstâncias relatadas na lenda se tivessem passado entre 931 e 951, cronologia em que o Porto e Gaia estavam já sobre seguro domínio cristão, desde a conquista de Vimara Peres em 868.

Assim, ou não damos qualquer crédito à lenda ou temos de a datar em meados do século IX, tendo D. Ramiro I e seu filho D. Ordonho I como protagonistas. Para melhor se poder avaliar a lenda, transcreve-se aqui o texto original do Livro Velho: «Este rei D. Ramiro seve casado com uma rainha e fege nela rei D. Ordonho; e pois lha filhou rei Abencadão, que era mouro, e foi-lha filhar em Salvaterra, no lugar que chamam Mier.

Então era rei Ramiro nas Asturias, e quando Abencadão tornou aduce-a para Gaia, que era seu castelo; e, quando veio, rei Ramiro não achou a sa mulher e pesou-lhe ende muito, e enviou por naves seu filho D. Ordonho e por seus vassalos e fretou sas naves e meteu-se em elas, e veio Sanhoane da Furada hoje Afurada, na foz do Douro, do lado de Gaia; e pois que a nave entrou pela foz, cobriu-a de panos verdes, em tal guisa que cuidassem que eram ramos, ca entonce Douro era coberto de uma parte e de outra de arvores; e esse rei Ramiro vestiu-se em panos de veleto, e levou consigo sa espada e seu corno, e falou com seu filho e com seus vassalos que, quando ouvissem o seu corno, que todos lhe acorressem e que todos jouvessem pela ribeira per antre as arvores, fora poucos que ficassem na nave para mantê-la. E ele foi-se estar a uma fonte que estava perto do castelo; e Abencadão era fora do castelo e fora correr monte contra Alafão.

E uma donzela que servia a rainha levantou-se pela manhã, que lhe fosse pela água para as mãos; e aquela donzela havia nome Ortiga; e ele pediu-lhe água pela arávia, e ela deu-lha por um autre, e ele meteu um camafeu na boca, o qual camafeu havia partido com sa mulher, a rainha, pela meiadade.

Ele deu-se a beber e deitou a anel no autre, e a donzela foi-se e deu ágia à rainha, e caiu-lhe o anel na mão e conheceu-o ela logo. A rainha perguntou quem achara na fonte; ela respondeu-lhe nom era hi ningém; ela disse que mentia, e que lho nom negasse, ca lhe faria por ende bem e mercê; e a donzela lhe disse entom que achara um mouro doente e lazarado e que lhe pedira água que bebesse, e ela que lha dera; e entonce lhe disse a rainha que lhe fosse por ele, e se hi o achasse que lho aducesse.

A donzela foi por ele e disse-lhe ca lhe mandava dizer a rainha que fosse a ela; e entonces rei Ramiro foi-se com ela; e ele, entrando pela porta do paço, conheceu a rainha e disse-lhe: - Rei Ramiro, quem te aduce aqui? E ele lhe respondeu: - Ca pequena maravilha! E ela disse à donzela que o metesse na câmara e que nom lhe desse que comesse nem que bebesse; e a donzela pensou dele sem mandado da rainha.

E ele jazendo na câmara, chegou Abencadão e deram-lhe que jantasse, e despois de jantar, foi-se para a rainha, e dês que fizeram seu prazer, disse a rainha: - Se tu aqui tivesses rei Ramiro, que lhe farias? O mouro então respondeu: - O que ele a mim faria: matá-lo. Então a rainha chamou Ortiga que o aducesse da câmara, e ela assim o fez, e aduce o mouro, e o mouro lhe disse: - És tu rei Ramiro? E ele respondeu:- Eu sou. E o mouro lhe perguntou: - A que vieste aqui? El-rei Ramiro lhe disse entom: -Vim ver minha mulher, que me filhaste a torto, ca tu havias comigo tréguas e nom me catava de ti.

E o mouro lhe disse: - Vieste a morrer, mas quero-te perguntar: se me tivesses em Mier, que morte me darias? El-rei Ramiro era muito faminto, e respondeu-lhe assim: - Eu te daria um capão assado e uma regueifa e faria-te tudo comer e dar-te-ia em cima uma copa cheia de vinho que bebesses; em cima, abrira portas do meu curral e faria chamar todas as minhas gentes, que viessem ver como morrias, e faria-te subir a um padrão e faria-te tanger o corno até que te hi saisse o fôlego. Então respondeu-lhe Abencadão: -Essa morte te quero eu dar. E fez abrir os currais, e feze-o subir em um padrão que hi entom estava; e começou rei Ramiro entom seu corno tanger, e começou chamar sa gente pelo corno, que lhe acorressem, ca agora havia tempo.

E o filho, como o ouviu, acorreu-lhe com seus vassalos, e meterom-se pela porta do castelo, e ele desceu-se do padrom adonde estava, e veio contra eles e tirou sa espada da bainha e descabeçando atá o menor mouro que havia em toda Gaia, andaram todos à espada, e nom ficou em essa vila de Gaia pedra sobre pedra que tudo não fosse em terra.

E filhou rei Ramiro sa mulher com sas donzelas e quando haver hi achou e meteu na nave, e quando foram a foz de Ancora amarraram as barcas e comeram e folgaram, e D. Ramiro deitou-se a dormir no regaço da rainha e a rainha filhou-se a horar, e as lágrimas dela caeram a D. Ramiro pelo rosto, e ele espertou-se e disse porque chorava? E ela disse-lhe: - Choro por o mui bom mouro que ataste.

E então o filho, que andava hi na nave, ouviu aquela palavra que sa madre dissera e disse ao padre: - Padre, não levemos connosco mais o demo. Entom rei Ramiro filhou uma mó que trazia na nave e ligou-lha na garganta e ancorou-a no mar, e des aquela hora chamaram hi Foz de Ancora.

Este D. Ramiro foi-se a Mier e fez sa corte, e contou-lhe tudo como acaecera, e entom baptizou Ortiga e casou com ela e louvou-lhe toda sa corte muito, e pos-lhe nome D. Áldara, e fege nela um filho, e quando nasceu pos-lhe o padre o nome Alboazar, e disse entom o padre que lhe punha este nome porque seria padre e senhor de muito boa fidalguia.»

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